Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo

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29/05/2018 - 10h19

Não há mais controle sobre o movimento, afirma líder sindical

Fonte: Valor Econômico

 
Sindicalistas e representantes de caminhoneiros divergem sobre o fim da greve da categoria, que entrou no oitavo dia nesta segunda-feira, e os rumos do movimento daqui para frente. Parte das lideranças defende a volta ao trabalho e denuncia influência externa. Outra parte quer seguir a mobilização por entender que nem todos os objetivos foram alcançados.
 
O diretor do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Ijuí (Sinditac-Ijuí), Carlos Alberto Litti Dahmer, afirmou que orientou que "cada um tome suas próprias decisões. Não temos mais controle [do movimento], nem confiamos no governo".
 
Segundo ele, o Planalto está perdido e, por conta disso, outros segmentos acabaram se apropriando da greve dos caminhoneiros para defender suas bandeiras. "O governo transformou o projeto que regula os preços de fretes rodoviários (PLC 121/2017) em medida provisória", afirmou, em tom de crítica.
 
"Infiltrados"
 
O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, afirmou que cerca de 30% dos caminhoneiros do país ainda estão mobilizados. O dirigente defendeu o fim do movimento e denunciou ameaças aos caminhoneiros por parte de militantes políticos e defensores de uma intervenção militar.
 
Segundo ele, há condições para que a desmobilização termine amanhã, desde que cessem as ações para impedir que os caminhoneiros retomem as atividades. "O pessoal quer voltar a trabalhar, mas tem medo", afirmou.
 
O dirigente citou alguns locais onde a desmobilização está sendo dificultada, como no entorno das montadoras do ABC paulista e das distribuidoras de combustíveis BR, Shell e Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo.
 
A greve continua
 
"Os caminhoneiros estão com pé atrás em relação ao governo e vão continuar parados no Estado", afirma Vanderli Caetano, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de Goiás (Sindicam-Goiás).
 
Ruas vazias e comércio desbastecido é o panorama descrito por Caetano na cidade de Rio Verde, Goiás, onde ele está. Segundo o líder sindical, os caminhoneiros esperavam uma proposta muito além de R$ 0,46. "E outra, tabela de preço de frete por Medida Provisória também não passa nenhuma segurança, porque pode cair", diz.
 
Manobra política 
 
Já José Cícero Rodrigues, diretor do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), afirmou que, enquanto a Petrobras não se manifestar de forma a garantir que o preço do óleo diesel não voltará a ter aumentos consecutivos, os caminhoneiros continuarão insatisfeitos.
 
Para ele, as medidas anunciadas pelo governo ontem à noite, em parte, são manobra política, atendendo apenas a uma crise imediata.
 
"Essa greve teve início por essa razão (a política de preços), e pela importância do caminhoneiro na vida das pessoas, o que foi provado pelo o que estamos vendo, pelo desabastecimento", ressaltou Rodrigues.
 
Segundo ele, é necessário que a companhia formule uma proposta e de imediato: "Não se resolve em seis dias algo que se arrasta há anos. O problema da Petrobras vem de anos. No meu entendimento, essa política deveria estar recebendo atenção durante todo esse tempo, envolvendo economistas, empresários e trabalhadores".
 
Bloqueios
 
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou, às 14h desta segunda-feira (28), que, de um total de 1.283 bloqueios registrados em rodovias ao longo da semana passada por causa da paralisação de caminhoneiros, 727 foram liberados e 556 ainda estão interditados. A maioria dos pontos é de bloqueios parciais e sem prejuízo à circulação de veículos, de acordo com boletim da PRF. 
 
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